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quinta-feira, 24 de junho de 2010

Torcer para o Brasil na Copa do Mundo


Me sinto lisongeada com a generosidade da minha amigona Larissa, que se encontra na Escócia, me ter deixado repassar essa ótima narrativa de como é viver num país tão frio (em todos os sentidos) tendo um coração quente de brasileira.

Lari, obrigada por deixar eu repassar aos amigos que acompanham o Blog.


Segue a narrativa:

"Ola caros amigos brasileiros!
Eu tinha contato que aqui as pessoas não estão muito preocupadas com a copa, mas não pensei que seria completamente ignorada. Meu Deus, qual eh a desses europeus, definitivamente eles não sabem fazer festa! Que saudades da copa em que passei no Rio de Janeiro, quando vejo aquelas fotos de copacabana da para medir o quanto sinto falta da emoção do povo brasileiro. No prédio onde trabalho a maioria são britânicos, seguidos por indianos, chineses e alguns poucos europeus do continente. Das Americas, alem de mim, tem mais uns 3 venezuelanos. Na Escócia, a copa do mundo tem a mesma importância que damos ao campeonato britânico de criquet, ou seja, não queremos nem saber. Não ha bandeiras, buzinacos, festa, horário diferenciado no trabalho, bolao, nem muitos comentarios...
O assunto mais recorrente na sala do cafezinho eh o vazamento de petróleo no Golfo do México. As poucas conversa sobre a copa, morrem logo, com algum comentário do tipo "eu não estou nem ai para essa Copa".
Até o jornal local só coloca noticias da copa na sessão de esporte, nenhuma notinha na capa, nem mesmo uma goleada de 7 x 0 merece destaque.
Até o Mac Donalds, que eh patrocinador da Copa, não fez qualquer tipo de promoção, decoração ou sanduiche novo por causa do evento. Na verdade eles estão mais preocupados com os Highlander games, que são competições tradicionais daqui, tem lançamento de pedra, tora, cabo de guerra e competição de gaita de fole. Coloquei algumas fotos no orkut dos jogos da minha cidade, mesmo com mal tempo estava lotado.
Pelo menos uma coisa serve de consolo, certamente a Escócia nunca vai sediar uma copa do mundo, ainda bem, pois ao invés de vuvuzela teríamos o som da gaita de fole o jogo inteiro... Entre nos, eu adoro gaita de fole, mas só nos primeiros 5 minutos, depois me canso do som estridente.
Hoje saiu uma reportagem sobre a proibição de uma loja de vender camisetas onde está escrito "qquer um menos a Inglaterra", a Inglaterra e a Escócia tem o mesmo tipo de rivalidade que Brasil e Argentina. Em resposta a essa camiseta, alguns ingleses estavam usando uma outra camiseta dizendo "a escocia nao estah jogando". Achei engraçado, finalmente uma brincadeira com espírito de futebol... Mas que nada, foi considerado uma tragédia, por causa desse "incidente", está a maior discuissao nas rádios e jornais sobre o comportamento racista que a copa está fazendo aflorar, e a desgraça que está se abatendo sobre o Reino Unido. Onde eh que essa onda do politicamente correto vai parar? Eh exagero querer enquadrar em crime de racismo alguém que usa/venda essas camisetas.
No dia do primeiro jogo do Brasil, o Luciano e eu fomos ao maior sport bar da cidade, eles colocaram uma telona do lado de fora que vai ser usada durante a Copa. Fomos com camisa do Brasil, bandeira, etc, pensei que seria uma ótima oportunidade para conhecer mais brasileiros na cidade, que nada! Nos fomos os únicos, coloquei umas fotos em anexo do bar no inicio, no final e da rua em frente ao bar logo que acabou o jogo. Aqui o jogo foi entre 19:30 e 21:30, um horário perfeito para assistir um jogo num bar. O ultimo jogo, combinamos com outros brasileiros de ir a um bar, conseguimos nos encontrar com mais 8 pessoas do nosso pais, sendo que 2 eram da marinha e que moram no Brasil, mas estavam em treinamento aqui no mar do norte.
Sempre escuto dizer que brasileiro eh como praga que encontramos em qualquer lugar, mas isso não eh valido para o norte da Escócia...


Bem, eh isso, só queria contar um pouquinho da experiência da copa do mundo em uma pais gelado, espero que todos estejam bem.





Beijos frustrados,Laryssa
(torcedora solitária)









Tadinha né?! Fazer o quê? Marcar férias daqui a 4 anos pra passar aqui!!
Um beijão a todas e obrigada por me visitarem... Keli.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Oração para não se tornar um arrogante rabugento



Ó Senhor, tu sabes melhor do que eu que estou envelhecendo a cada dia.
Sendo assim, livra-me da tolice de achar que devo dizer algo, em toda e qualquer ocasião.
Livra-me, também, Senhor, deste desejo enorme que tenho de querer pôr em ordem a vida dos outros.
Ensina-me a pensar nos outros e a ajudá-los, sem jamais me impor sobre eles, mesmo considerando com modéstia
a sabedoria que acumulei e que penso ser uma lástima não passar adiante.
Tu sabes, Senhor, que desejo preservar alguns amigos e uma boa relação com os filhos, e que só se preserva os
amigos e os filhos quando não há intromissão na vida deles.
Livra-me, também, Senhor, da tolice de querer contar tudo com detalhes e minúcias. Dá asas à minha imaginação
para voar diretamente ao ponto que interessa.
Que eu não tenha permissão para falar mal de alguém.
Ensina-me a fazer silêncio sobre minhas dores e doenças. Elas estão aumentando e, com isso,
a vontade de descrevê-las vai crescendo a cada ano que passa.
Não ouso pedir o dom de ouvir com alegria a descrição das doenças alheias. Seria pedir muito.
Mas, ensina-me, Senhor, a suportar ouvi-las com paciência.
Ensina-me a maravilhosa sabedoria de saber que posso estar errado em algumas ocasiões.
Já descobri que pessoas que acertam sempre são maçantes e desagradáveis.
Mas, sobretudo, Senhor, nesta prece de envelhecimento, peço:
Mantenha-me o mais amável possível. Mas livrai-me de ser santo!.
Amém

No meu caso a dose deve ser diária... kkk e no seu??
Um beijo no coração, Keli.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

DEFINIÇÃO DE SAUDADE


Bom dia amigas... hoje estou mais filosoficamente, existencialmente, talvez tragicamente, romântica...

Somos humanos... todos temos "verdades pétreas"... mas que se modificam com o passar das experiências vividas... estamos aqui para aprender... vejam que lindo exemplo de aprendizado... Um médico renomado e uma criança de 11 anos:

"Artigo do Dr. Rogério Brandão - Médico oncologista
Como médico cancerologista, já calejado com longos 29 anos de atuação profissional (...) "... posso afirmar que cresci e modifiquei-me com os dramas vivenciados pelos meus pacientes.
Não conhecemos nossa verdadeira dimensão até que, pegos pela adversidade, descobrimos que somos capazes de ir muito mais além.
Recordo-me com emoção do Hospital do Câncer de Pernambuco, onde dei meus primeiros passos como profissional. Comecei a freqüentar a enfermaria infantil e apaixonei-me pela oncopediatria.
Vivenciei os dramas dos meus pacientes, crianças vítimas inocentes do câncer.
Com o nascimento da minha primeira filha, comecei a me acovardar ao ver o sofrimento das crianças. Até o dia em que um anjo passou por mim! Meu anjo veio na forma de uma criança já com 11 anos, calejada por dois longos anos de tratamentos diversos, manipulações, injeções e todos os desconfortos trazidos pelos programas de químicos e radioterapias. Mas nunca vi o pequeno anjo fraquejar. Vi-a chorar muitas vezes; também vi medo em seus olhinhos; porém, isso é humano!
Um dia, cheguei ao hospital cedinho e encontrei meu anjo sozinho no quarto. Perguntei pela mãe. A resposta que recebi, ainda hoje, não consigo contar sem vivenciar profunda emoção.
" - Tio, disse-me ela, às vezes minha mãe sai do quarto para chorar escondido nos corredores. Quando eu morrer, acho que ela vai ficar com muita saudade. Mas, eu não tenho medo de morrer, tio. Eu não nasci para esta vida!"
Indaguei: - E o que morte representa para você, minha querida?
" - Olha tio, quando a gente é pequena, às vezes, vamos dormir na cama do nosso pai e, no outro dia, acordamos em nossa própria cama, não é?"(Lembrei das minhas filhas, na época crianças de 6 e 2 anos, com elas, eu procedia exatamente assim.)
- É isso mesmo.
"- Um dia eu vou dormir e o meu Pai vem me buscar. Vou acordar na casa Dele, na minha vida verdadeira!"
Fiquei "entupigaitado", não sabia o que dizer. Chocado com a maturidade com que o sofrimento acelerou a visão e a espiritualidade daquela criança.
"- E minha mãe vai ficar com saudades, emendou ela."
Emocionado, contendo uma lágrima e um soluço, perguntei: - E o que saudade significa para você, minha querida?
- Saudade é o amor que fica!
Hoje, aos 53 anos de idade, desafio qualquer um a dar uma definição melhor, mais direta e simples para a palavra saudade: é o amor que fica!
Meu anjinho já se foi, há longos anos. Mas, deixou-me uma grande lição que ajudou a melhorar a minha vida, a tentar ser mais humano e carinhoso com meus doentes, a repensar meus valores. Quando a noite chega, se o céu está limpo e vejo uma estrela, chamo pelo "meu anjo", que brilha e resplandece no céu.
Imagino ser ela uma fulgurante estrela em sua nova e eterna casa. Obrigado anjinho, pela vida bonita que teve, pelas lições que me ensinaste, pela ajuda que me deste. Que bom que existe saudade! O amor que ficou é eterno."

As experiências na dor são muito marcantes... sempre existirá evolução na dor, se abrirmos o coração para aprender, para melhorar... assim eu penso e assim tento fazer. O sofrimento, desses quase três anos de tratamento da Heleninha, não será em vão.
Leia mais sobre o assunto AQUI.

Um beijo no coração, Keli.